Mãe. Uma palavra pequena demais para tudo o que carrega.
É força e delicadeza. Pressa e presença. É dar conta de tudo — ou, pelo menos, tentar. É cuidar, guiar, ensinar e, tantas vezes, abrir mão. É chegar exausta no fim do dia e, ainda assim, encontrar energia para mais um banho, uma conversa, um colo.
Maio é o mês das mães. Também é o mês do trabalho. E, para muitas mulheres, essas duas dimensões da vida não são apenas datas no calendário: são jornadas que se cruzam todos os dias. Nem sempre em harmonia. Quase sempre com muito esforço. A conta, muitas vezes, não fecha. As exigências são inúmeras. O tempo é escasso. O cansaço é real.
Aprendi a ser mãe em dois tempos
Eu sei bem o que isso significa. Vivi — e ainda vivo — cenas que marcaram a minha trajetória. Em muitos momentos minha filha Helena, ainda recém-nascida, me acompanhava em audiências, dormindo no bebê conforto. Era um tempo em que eu conciliava prazos e mamadas, sustentações orais e fraldas. José Henrique, meu filho mais velho, já tinha sete anos. E eu aprendia, na prática, a ser mãe em dois tempos: uma maternidade que exigia silêncio e colo, e outra que pedia escuta e presença.
Enquanto equilibrava o choro do bebê e a lição de casa do mais velho, também entregava petições, atendia clientes e me fazia presente nas salas de audiência — às vezes com uma criança no sling, às vezes com o coração apertado por estar longe.
Hoje, sigo tentando conciliar o inegociável: minha família e o meu propósito profissional. Agora com um adolescente cheio de ideias e uma menina de 7 anos cheia de energia, os desafios mudaram de formato — mas continuam intensos. O malabarismo permanece.
Trabalhar com o que amo é também uma forma de amar. Me realiza. Me fortalece. Me ensina, todos os dias, que posso ser exemplo e, ao mesmo tempo, ser honesta com minhas vulnerabilidades. Porque ser mãe e trabalhar fora não é sobre dar conta de tudo. É sobre fazer escolhas, com consciência e afeto, mesmo quando é difícil.
Os direitos que amparam a maternidade
E, como advogada, vejo com frequência o quanto ainda precisamos lembrar às mulheres que existem, sim, direitos que amparam a maternidade:
- Estabilidade no emprego desde o início da gestação até meses após o parto.
- Licença remunerada para viver o início da maternidade com dignidade.
- Pausas garantidas no trabalho para amamentar.
- Direito ao auxílio ou local adequado para os filhos pequenos em determinadas empresas.
Essas garantias existem para que nenhuma mulher precise escolher entre sua carreira e sua maternidade — porque essa escolha, na verdade, nunca deveria ser exigida.
A maternidade não me afastou da profissão
Ela me transformou nela. Me fez mais sensível. Mais firme. Mais humana. E me comprometeu ainda mais com um Direito que acolhe, respeita e liberta.
Neste mês tão simbólico, minha homenagem vai para todas as mães que trabalham — dentro e fora de casa. As que equilibram reuniões e tarefas escolares. As que conciliam boletos e brinquedos. As que seguem em frente, mesmo quando tudo pede pausa. As que se reinventam todos os dias — por si, pelos filhos, pelos sonhos.
Ser mãe é viver em estado de presença, mesmo quando o corpo corre e o coração se divide.
É ser muitas — e, ainda assim, ser inteira.
Coluna Panorama Empresarial, publicada originalmente na revista Sou Pedra Branca.